Capítulo 7 - Salve-se quem puder

 A importância do SUS




Não foi por acaso que o Brasil negligenciou a compra da vacina. Não foi por acaso que não se investiu em testagem em massa. Não foi por acaso que houve uma atuação tão forte contra a ciência e contra tudo o que os cientistas diziam. Não foi por acaso que justamente as autoridades que deveriam nos guiar investiram tempo e dinheiro na propagação de mentiras sobre o vírus, sobre a vacina, sobre um tratamento precoce que nunca existiu. Não foi por acaso, não foi por acidente; foi por propósito, mesmo. Foi por projeto. Isso são falas de Tiago Rogero, que evidencia como se acentuou a desvalorização do SUS no governo Bolsonaro.

Mídia Ninja, 2020

Antes do Sistema Único de Saúde (SUS) existir no Brasil, muitas pessoas, especialmente os povos originários e as comunidades negras, cuidavam da saúde usando remédios naturais e tradições passadas de geração em geração. Era difícil encontrar ajuda médica, principalmente para aqueles que não tinham muito dinheiro. O caso que Jurema Werneck (ativista e diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil) fala no episódio sobre sua mãe é um exemplo doloroso dessa época. Ela faleceu por conta de um aneurisma antes da existência do SUS, o que faz ela pensar na possibilidade de sua mãe ter conseguido se recuperar, se caso o SUS já existisse na época. A história da morte de sua mãe foi registrada num livro de neurologia, isso mostra como era difícil para muitas pessoas ter acesso a cuidados médicos.

As faculdades de medicina só vieram surgir no Brasil a partir de 1808, sendo que mulheres só puderam adentrar em 1879. No começo eram apenas escolas, depois se desenvolveram e chegaram a tornar-se faculdade de fato. Ainda que poucos negros tivessem vindo a estudar nessas faculdades, já que eram super elitistas, a Maria Odília Teixeira, foi a primeira mulher negra formada médica na Bahia, e também a primeira professora negra daquela faculdade. Mas, até hoje, a proporção de médicos negros em comparação com a população ainda é pequena.

Não se pode negar como as pessoas negras tiveram um papel muitoo ativo nessa luta pela saúde como um direito de todo mundo. Especialmente nos anos 1980, durante os movimentos pela Reforma Sanitária, eles levantaram a bandeira contra o racismo e outras formas de discriminação, mostrando como isso afeta a saúde, principalmente da população negra. Vale ressaltar a Constituição de 1988, que foi um marco, ali finalmente reconheceram a saúde como um direito de todo cidadão brasileiro. Assim, mesmo com suas limitações, o SUS desempenha um papel central na busca por assistência médica pela população negra e de baixa renda, evidenciando sua importância crucial, embora necessite de melhorias para garantir um atendimento melhor, mais abrangente e eficaz. Viva o SUS!



Por: Joandeson Silva e Miqueias Santos

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