Capítulo 2 - Tempos Breves


 Joaquim e José de Souza Breves foram grandes cafeicultores durante o | e || reinado, possuindo mais de 70 propriedades e cerca de 5 mil escravizando nos seus nomes. Suas terras se estendiam pelos atuais municípios de Mangaratiba, Resende, Barra Mansa, Rio Claro e pelos municípios paulistas de Bananal e Areias. Dizia-se, na época, que podia-se ir do oceano até Minas Gerais e do Rio até a divisa com São Paulo, sem sair das suas terras.

  Em 1831, após uma grande pressão da Inglaterra, o Brasil realizou a promulgação da Lei Feijó que proibia o tráfico negreiro no país, afirmando que todos os escravos que entrassem no território brasileiro a partir daquela data eram livres, porém tal ordem jamais do papel. Foi durante esse período que nasceu a expressão “para inglês ver”, fazendo referência a lei criada somente para acalmar o ânimo dos ingleses, logo que não foi verdadeiramente executada.

 Diante da tal restrição, os irmãos Breves começaram a redirecionar seus investimentos, concentrando-se de forma mais direta no contrabando de africanos, assumindo o vácuo deixado por outros traficantes. Cerca 740 mil pessoas foram trazidas para cá ilegalmente, nessa época pessoas essas que, pela lei, não poderiam ter sido sequestradas e transportadas para o Brasil, e, uma vez que fossem deslocadas, deveriam ter sido imediatamente colocadas em liberdade, mas como já dizia a expressão "para inglês vê", esse direito não foi executado. O contrabando negreiro só encontrou seu fim em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós, levando a criação de uma grande crise econômica para vários burgueses dependentes do trabalho escravo, principalmente os traficantes, como os irmãos Breves, que após um período de 100 anos dominando a região do Vale Fluminense obteve o seu fim. Paralelo a isso, Visconde de Mauá, empreendedor brasileiro, liderou um grupo que fundou um banco após o fim do contrabando. 

 A escravidão foi fundamental para a formação da riqueza brasileira em todos os setores, persistindo mesmo após a abolição. O racismo continuou na República, mantendo desigualdades e privilégios, beneficiando pessoas brancas e ricas, devido a relações sociais sedimentadas durante mais de 300 anos de escravidão. O país ainda lida com as consequências desse passado, sem um entendimento pleno ou enfrentamento das questões históricas e estruturais. Na História do Brasil, enquanto os brancos podiam brincar de empresário, de investidor, de empreendedor, os negros tinham de lutar para sobreviver. Por isso é necessário estudamos a história para compreendemos que não podemos aceitar situações admissíveis em que negros recebem menos que pessoas brancas ou também para refletirmos sobre as barbáries dos nossos colonizadores e como jamais devemos repetir esse tipo de conduta.


Autoras: Júlia Gabriele, Karla Vitória e Ráica Ribeiro

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