Capítulo 4 - O colono preto (Bianca Nunes, Cailane Maia e Maria Fernanda)

 Leis na promoção de oportunidades, 

ajuda ou controle disfarçado de liberdade?


A história do Brasil é marcada por uma trama complexa de leis que moldaram o acesso à educação e perpetuaram desigualdades sociais, especialmente no que diz respeito à população negra. Ao escutarmos O colono preto, vimos que as leis destinadas a promover oportunidades educacionais podem ser vistas sob diferentes perspectivas. A questão central que emerge é se essas leis são verdadeiras ferramentas de ajuda na busca por equidade ou se, de alguma forma, representam um controle disfarçado de liberdade para determinados grupos sociais.

A trajetória histórica apresentada revela momentos em que as leis se mostraram contraditórias, refletindo preconceitos enraizados. Desde o século XVIII há situações em que destacaram a discriminação na matrícula escolar com base na cor da pele, a legislação frequentemente esteve permeada por visões discriminatórias. Em 1760 uma moça chamada Izabel fez  um pedido para um juiz de órfãos de Mariana em MG, Izabel pedia uma quantia para os filhos conseguirem continuar estudando (o dinheiro da herança do falecido marido), o juiz disse "Não, como seus filhos são pardos, não se justifica gastar dinheiro com educação, o que eles devem fazer é trabalhar".

Contudo, surgem figuras como Firmina e Manuel Querino, que desafiaram essas barreiras. Firmina, aprovada em concurso público em 1947, e Querino, defensor do talento mestiço, são exemplos de como o acesso à educação pode ser uma ferramenta de libertação. Manuel Querino, em particular, não apenas estudou e se destacou intelectualmente, mas também lutou para instruir as pessoas sobre a história e cultura africanas, desafiando a visão predominante da época. A introdução de cotas nas universidades a partir do início do século XXI representa um esforço institucional para corrigir desigualdades históricas. No entanto, a resistência de alguns setores da sociedade sugere que, para alguns, essas políticas são percebidas como uma ameaça à suposta igualdade de oportunidades.

Busto em homenagem a Maria Firmina dos Reis, no centro de São Luís, no Maranhão, crédito: Tiago Rogero.

É necessário questionar se as leis na promoção de oportunidades verdadeiramente constituíram ajuda ou se, de alguma forma, representaram um controle disfarçado de liberdade para determinados grupos. Até meados de 1871 o governo vinha a criar lei em cima lei, e a cada lei, o preto ia sendo encurralado. A resposta a essa pergunta está intrinsecamente ligada à maneira como essas leis são implementadas e à conscientização da sociedade sobre a importância da equidade.
O legado de Firmina e Manuel Querino, aliado às políticas de cotas, destaca a necessidade contínua de desafiar estruturas discriminatórias e garantir que as leis sejam verdadeiramente instrumentos de promoção de oportunidades para todos. A construção de uma sociedade mais justa requer não apenas mudanças nas políticas, mas também uma transformação cultural que reconheça e celebre a diversidade como um pilar fundamental de liberdade e igualdade.


Facebook; Acervo, Criação - Manuel Querino - Brazil's first Black vindicationist

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